O texto abaixo é de minha autoria, como parte integrante da nota de Jornalismo Impresso da minha Universidade. Sou um leitor assíduo de Nelson Rodrigues e acredito que o dramaturgo ajudou a construir uma identidade cultural na sociedade brasileira. Sua obra, riquíssima em personagens profundos e questionadores, permeia os males já há muito conhecidos da humanidade, só que com a característica da situação se passar exclusivamente no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, centro intelectual, vou assim dizer, do país:
Como disse o filósofo Sartre, no livro “Em Defesa dos Intelectuais” (1994: 59) referindo-se
ao jornalista noticioso, ele afirma que “escrevente se serve da linguagem para
transmitir informação”, e faz um parâmetro com o escritor literário, dizendo
que “é um artesão que produz um certo objeto verbal através de um trabalho
sobre a materialidade das palavras, tomando como meio as significações e como
fim o não-significante”.
O mundo do jornalismo é bem mais amplo
do que reportar a notícia com o fato em si. A arte jornalística transcende essa
limitação e esbarra-se muito confortavelmente na literatura, onde encontrará
uma fonte inesgotável de ideias e reflexões. Sendo tão mais profunda a sua
função social, alguns jornalistas criam o dom de transformar qualquer fato
cotidiano simples numa imersão a um mundo de sentidos e vontades, tal como
Nelson Rodrigues.
O jornalista nasceu em Recife no ano de
1912 e mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital federal, com sete anos de
idade. Nelson Falcão Rodrigues teve contato com o jornalismo desde menino,
profissão que seu pai exercia e decidiu seguir seus passos. Conheceu o sucesso
com suas peças de teatro – Vestido de
Noiva, de 1943, é considerada marco zero do modernismo teatral brasileiro –
e teve uma promissora carreira jornalística, atuando como cronista e
comentarista. Fazendo um quadro um tanto quanto farsesco da sociedade
brasileira da época, o dramaturgo retratou a burguesia carioca como nenhum
outro o fez.
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| Minha coleção Rodriguiana, composta por 7 peças e antologia de contos |
Eternizadas no livro “A Vida Como Ela É...”, as crônicas que o
amante do Rio de Janeiro escreveu satirizavam a vida carioca ao mesmo tempo em
que chocavam com a sociedade. Como o brasileiro tem costume de se autodefinir
vira-lata, de nunca se valorizar, o dramaturgo tocava em assuntos como traição,
deboche, ironia e escracho – tão puramente nacionais -, pois ele acreditava que
dessa maneira suas palavras ficariam presas na mente das pessoas.
Uma das coisas que ele mais lutou e
escreveu apaixonadamente era sobre futebol e as seleções que jogaram na Copa.
Ele os apoiava, demonstrava sua paixão como ninguém através de crônicas que
ficaram famosas no jornal Última Hora.
Nelson imprimia em seus personagens
características puramente nacionais, que eram um espelho da condição das
pessoas que estavam ao seu redor. “O dramaturgo refletiu o que viveu. Saiu de
Recife e foi pro subúrbio carioca muito jovem. Muitas das suas características
não se revelam apenas através do sexo e da traição, a morte também está muito
envolvida em todos os seus trabalhos, inclusive no teatro”, afirma Raquel
Brandão Inácio, repórter da revista Caras e formada em jornalismo na Universidade São Judas,
em 2012, com projeto de Iniciação Científica sobre a obra de Nelson.
“Acho que a sociedade de antes se
chocava muito, ainda mais quando o tema era a sexualidade, porém hoje, apesar
de mexer com as pessoas, acredito que elas têm uma dimensão diferente do que o
autor retratava. Embora escondamos algumas verdades, elas ainda existem e o
mérito de Nelson, talvez, foi o de escrever sobre essas verdades e expô-las em
sua obra”, finaliza Raquel.
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PS: Sim, voltei definitivamente com o blog Galáctica. :)
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PS: Sim, voltei definitivamente com o blog Galáctica. :)


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