Get lost on the Galaxy Case

sábado, 21 de abril de 2012

A verdade sobre o (des)sucesso de Madonna

Escrever sobre Madonna é andar sobre um campo minado. São tantas histórias, tantas controvérsias que fica difícil discernir o que é verdade e o que não é. É pegar uma conversa pela metade e entender exatamente o oposto daquilo que está sendo discutido. Madonna é um ícone não só por acaso, ele é um camaleão da música. E engana-se quem acha que o produto é lixo. Ele funciona e faz parte da indústria cultural.
















Como um fã de longa data da cantora, eu me sinto confiante ao falar sobre ela. O que quero dizer é que tenho fundamentos para argumentar, afinal todos os discos que eu escutei, os livros que li, o show que eu fui contribuem, em muito, para um texto mais concreto sobre ela. Não quero ser parcial e falar que esta é a melhor cantora do mundo, até porque, ao meu ver, esse é um título muito questionável. "Melhor cantora do mundo", simplesmente não tem como existir isso.


Buscar a verdade sobre alguém que está há tanto tempo no showbizz requer, no mínimo, um livro ou uma tese de doutorado, por isso, darei uma enxugada e falarei apenas sobre seus últimos lançamentos - e óbvio, recorrer aos antigos quando necessário.


Madge no clipe Give Me All Your Luvin'

Para quem conhece um pouco da carreira da Rainha do Pop sabe que ela anda puxando o saco dos americanos - embora ela mesma seja americana. Mas puxando como? O foco da sua música está inteiramente voltado para os EUA. Parece que ela está tentando provar algo para o seu próprio povo. A sensação que eu tenho ao escutar MDNA (2012) e Hard Candy (2008) é exatamente esta.


Por incrível que pareça, ela está certa em fazer algo voltado para a sua nação, mas como somos bombardeados dia e noite com batidões norte-americanos, eu não sei vocês, mas meus ouvidos já estão cansados desse tipo de música há tempos. "Mas você não acabou de dizer que ela é um camaleão e camaleões sempre mudam?", siiim! E é exatamente este o ponto: Estaria Madonna tentando conquistar novamente seu espaço no maior mercado fonográfico do mundo?


Esta é uma questão um tanto quanto abstrata, tendo em conta a grande influência que Madonna exerce nos Estados Unidos, mas ela vem percebendo - e eu também consigo perceber - que o impacto que ela possuía lá não é mais o mesmo (em sua 2ª semana na parada da Billboard, o álbum MDNA caiu 88% nas vendas). Isso apenas para um ponto de partida.


Estaria o fim de Madonna próximo?











Não só nas vendas a mãe da Lola vem caindo, as posições nos charts também não estão nada boas - isso, logicamente, apenas nas paradas norte-americanas. Madonna não tem um Nº1 na terra do Tio Sam desde Music, em 2000. E para entendermos o porquê desse "dessucesso" primeiro temos que entender como funciona a cabeça de um cidadão americano.


O clássico americano é aquele ser patriota, que honra a camisa de seu país, que confia em seus governadores - mas não de olhos fechados. Embora se preocupem mais consigo mesmo, eles têm abrido mais o olho para o mundo ultimamente. Ok, e onde entra a Madonna nisso tudo? Em 2003, prestes a lançar seu mais novo projeto "American Life", Madonna chega a um embate: lançar ou não o clipe American Life contendo sua versão suja e deturpada sobre a guerra no Iraque? Com o plus de acusar o vosso ilustríssimo ex-presidente George W. Bush como sendo um tirano pau-mandado que quer ver o circo pegar fogo.



Madonna tinha em mãos uma bomba, outra polêmica para a sua lista, mas não querendo causar comoção e em respeito aos soldados que foram enviados aos campos de batalha, a cantora simplesmente veta o material. Pela primeira vez, houve uma Madonna que quisesse conter seu próprio fogo. O problema é que isso foi encarado como um ato não-patriótico por parte de Madonna pelos americanos. E a popularidade de Bush ainda estava alta.


Resultado: Boicote geral de uma nação sobre uma cantora. Foram lançados 3 singles, "American Life", que alcançou a posição #37 na Billboard, "Hollywood" e "Love Profusion" que nem sequer entraram no hot 100. Além disso, as vendas do álbum "American Life" caíram drasticamente e é um dos cds menos vendidos da carreira de Madonna.


O boicote seguiu até o trabalho seguinte, "Confessions On A Dance Floor" (2005), só que este álbum foi muito bem recebido pelo resto do mundo e a Rainha do Pop, mais uma vez, estava em evidência. 


Voltando ao assunto do início do post, após anos sendo vetada pelo público, Madonna pisa em terrenos nunca antes cultivados, o rap. Em "Hard Candy" é nítida a sua aproximação com o gênero, produzindo músicas com Timbaland e Pharell Williams. É um tipo de música muito consumida pelo americanos e Madge viu nesse ritmo o que seria a sua "ressureição" no mercado musical. Para o álbum seguinte, "MDNA", a cantora diminui um pouco com raps mas o batidão continua lá, assim como presenças inusitadas como a rapper Nicki Minaj, 


Para fechar e falando como um fã: Volto a afirmar que Madonna está certa ao entrar num universo que faz parte da cultura dela, só que eu sinto que ela não está sendo verdadeira ao ponto de eu olhar para o trabalho dela e ver algo significativo. Mesmo ela escrevendo e produzindo as próprias músicas, eu sinto que é um trabalho muito distante, frio. Eu não consigo escutar o som e encontrar a pessoa Madonna. Pode ser que seja só uma fase ruim e que ela se encontre nos próximos caminhos que ela irá percorrer, mas enquanto isso não passa, continuo a escutar seus clássicos.


Expressem-se

The classic ones are always better

Nova Era

Cientistas afirmam: Daqui a bilhões de anos uma galáxia muito distante irá se chocar com a nossa e consequentemente acabar com toda a vida aqui presente. É um final inevitável, concordo, mas ficar esperando esse dia chegar não está nos planos. 


Vivo escutando que todas novelas terminam da mesma maneira, aí questiono: Então porque assistir se já sabe o final? É nessa hora eu respondo antes de alguém fazê-lo: O legal é ver como se chega até esse final. O fim está na nossa frente, mas o interessante é saber por qual caminho ir até que o alcancemos.


É dessa maneira que eu introduzo esse blog em sua primeira postagem. Já tive outro blog um tempo atrás, mas optei por me desfazê-lo. Exclui todos os textos, afinal acredito que melhores sempre virão.


O foco aqui é música, pura e simplesmente. Nem sempre darei destaque aos últimos acontecimentos, eu sigo uma linha mais reflexiva, tento entender o porquê, as causas, sintetizar os sentimentos e é claro, divulgar artistas remotos de lugares distintos. Buscar a raiz do significado de fazer música é uma tarefa árdua, mas empolgante. Onde isso irá dar? Eu não sei. Onde eu quero chegar? Muito longe.


As a huge Brit fan XOXO <3










PS: Não sou tão formal quanto essa introdução pareceu ser.