Get lost on the Galaxy Case

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Morte: Efêmera ou Eterna?

Atualmente, tenho percebido uma grande quantidade de séries e músicas que têm como base inspiratória a morte. O seriado "The Walking Dead" ou o emblemático álbum "Born to Die" da cantora americana Lana Del Rey são provas afetivas disso. Morrer está na moda.

Personagens do famoso mangá/animê Death Note: Para morrer, basta que se escreva o nome de alguém num livro

Mas não é morrer de qualquer jeito, eu estou falando da morte pela Arte. A busca por si mesmo começa quando se morre por motivos maiores e entregamos nossa alma àquilo que está acima de nós, ao nosso intuito criador, ao subconsciente de nossas amplitudes, faculdades. Por isso, vários artistas buscam nesse sombrio tema recursos para embasar e embelezar sua tão-adorada arte.

Grande destaque da Fox dos últimos anos, o seriado arrasa-quarteirão "The Walking Dead" leva o tema a fundo. Nele, sobreviventes de um apocalipse zumbi são obrigados a correr pela vida e, mesmo ela sendo tão preciosa, chegam a cogitar (e muito!) a ida para o outro lado da força. Rick Grimes é um tira que acorda de seu coma - fruto de um tiro de arma em seu abdome em uma corrida policial - e se depara com um mundo onde os mortos assumiram o controle. Os zumbis estão sedentos por carne humana e basta que um deles te dê uma pequena mordida para você se tornar igual a eles.

Logicamente, a busca pela sobrevivência é um caminho tortuoso e o tempo de descanso não é suficiente para aguentar mais uma jornada noturna, o que acaba tornando a morte a tábua de salvação dos personagens. A morte interna (classificarei assim) também aparece. Eu a defino como a mudança dos sentimentos, o conteúdo interior de alguém que se esvai e torna-se algo diferente. O personagem, nesse caso, morre ao sofrer as agressões externas do ambiente e sua personalidade muda, como é o caso de muitos deles, mas não entrarei em detalhes do enredo.


Rick, com o revólver, e sua trupe em The Walking Dead

No entanto, os conflitos em TWD vão bem além disso, explorando os relacionamentos familiares, amorosos, dando espaço para a vingança e o ressentimento, mas sem jamais ultrapassar a linha que coloca a morte como foco principal da trama. Eu vejo a morte neste seriado como uma mudança, seja ela boa ou ruim, depende dos olhos de quem por ela é vista. Morrer faz parte, a única opção é adiar um pouco, talvez muito, a nossa ida para o outro mundo.


A Morte na Música

Com a ascensão dos hipsters e os visuais cadavéricos da Gaga, a música, como nunca, também está fazendo uma grande ode à morte. Rihanna já dava algum indício da sugestão - de uma maneira repaginada - da morte na música, com o seu "Rated R", lançado em 2009. Em "Russian Roulette", fez essa brincadeira assassina e acabou morrendo no videoclipe. Mas longe de ter uma relevância no cenário musical, quem realmente trouxe à tona o tema sombrio de uma maneira comercial e interessante foi a mulher conhecida como Lady Gaga.

Lady Gaga e o modelo Zombie Boy no clipe de "Born This Way"

Ao enveredar pelo mundo da música, os temas das canções de Gaga bebiam da fonte pop-convencional, ou seja, baladas, sexo, dinheiro, feminismo, etc., etc.. Foi com o relançamento de seu 1º álbum, agora rebatizado de "The Fame Monster" que a nova-iorquina mudou o estilo que estava construindo. Mais precisamente com o videoclipe "Paparazzi", Gaga deu o pontapé inicial para falar sobre morte. Nele, ela é jogada da varanda pelo suposto namorado/ficante/amigo colorido, quase morre e acaba retornando à sua casa de cadeiras de roda e, ao final, acaba assassinando seu parceiro.

A cantora chegou a afirmar em uma entrevista que estava muito focada no tema "morte artística" ou "morte do artista". Ela queria explorar isso ao máximo, uma vez que, beleza e fama são passageiras, a morte é eterna. Gaga seguiu matando personagens em seus vídeos por toda a Era Monster (o homem queimado em Bad Romance, as pessoas no bar em Telephone e um caixão aparece em Alejandro).

Nas letras, principalmente, Gaga dava o toque macabro ao seu disco. Em "Dance In The Dark", cita o nome de diversos artistas que morreram de forma abrupta, ora brutais, como Marilyn Monroe e Princesa Diana, além de outros. Em "So Happy I Could Die", uma Gaga imensamente contente não teme a morte e para ela, está tudo bem, isso é aceitável.

Uma novidade mais recente na música, a cantora hipster-pop (?) Lana Del Rey é tão racional e cética ao ponto de escrever na letra de sua música a afirmação de que nós nascemos para morrer.


Lana em "National Anthem"

Canções embaladas por suaves melodias, uma voz doce, mas ao mesmo tempo, pesada, Lana adquiriu com seu trabalho uma legião de fãs que se identificaram com as letras melancólicas e depressivas, amorosas, porém pessimistas. E ao, contrário de Gaga, que só mata, Lana "morre" em seus videoclipes, como é o caso da faixa-título de seu álbum, "Born to Die".


A garota, no entanto, tenta revelar um lado mais idealizado da morte. Ela a afirma como algo bom, que nos elevará, um processo irremediável, final, mas belo, lúdico e poético. Lógico que combinando com o seu estilo femme fatale.

A morte possui diferentes aspectos nos meios pelos quais ela é transformada em arte. Em pinturas da idade média (vide o Romantismo e todos os outros ismos que vieram antes dele), a indesejável é associada à beleza, esta por ser algo fugaz e efêmero. Em séries de TV mais realistas, ela é algo ruim, pesado, triste. Em outras formas de arte, ela pode estar relacionada com a mudança, no torna-se algo ou alguma coisa melhor. Tem também a morte através das lentes da religião, mas isso é um outro tópico que precisa de uma dissertação mais aprofundada e clara. E é claro, cada um tem a sua opinião sobre esse fatalidade dos seres vivos. Qual é a sua?

Para finalizar, o vídeo-ícone do cinema de suspense, "O Sexto Sentido" (1999) é um filme para ser assistido uma vez, por isso, se ainda não o assistiu, faça-o! Mas só uma única vez. O final explica tudo.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Café da manhã na Tiffany's

Nesta semana, servido de uma grande vontade de apreciar novamente o filme "Bonequinha de Luxo", filme dirigido por Edward Blakes, baseado na obra de Truman Capote, um dos pioneiros do jornalismo literário, assentei-me no sofá de casa e admirei uma grande obra clássica da sétima arte.


Ao terminar, cheguei a conclusão de que toda boa obra cinematográfica deve ser assistida, pelo menos, duas vezes. Só assim o espectador pode dizer que realmente assistiu o filme. Ver a obra uma única vez é o mesmo que não ter visto. O que quero dizer é que há demasiadas nuanças para serem compreendidas em apenas um momento. Temos que contemplar a arte, dar um tempo, respirar, pensar em outras coisas e então contemplá-la novamente, desse modo nossos olhos e subconsciente estarão com o terreno preparado para equalizar todos os dados expostos.

Minha admiração pelo filme começou pela admiração em outra estrela: a própria Audrey Hepburn, cujo outro filme eu já assistira anteriormente e me aprouvera muito, My Fair Lady, ou, para os não-familiarizados, Minha Bela Dama. Audrey é uma atriz de nacionalidade belga que fez parte da chamada época de ouro de Hollywood. Viveu entre 1929 e 1993 e teve uma carreira de atriz invejável. Ganhou o prêmio Oscar em 1954 pelo seu trabalho no filme "A Princesa e o Plebeu" e é um dos grandes nomes femininos do cinema norte-americano.



"Bonequinha de Luxo" foi lançado em 1961 e nem por isso perde para qualquer comediazinha romântica que costuma transbordar na Sessão da Tarde, aliás, muito longe disso! Eu poderia considerá-lo como a primeira obra do gênero, só não o faço por falta de embasamento. Importante acrescentar que: a comédia está inserida na trama, porém o drama e as relações pessoais são muito mais aparentes.

Holly Golightly é uma "dama de companhia dos homens" que sonha encontrar o velho rico milionário que mudará de vez a sua vida. Ela só não contava que um escritor de contos, Paul Varjak, iria aparecer e ser o seu vizinho do andar de cima. Eles logo se tornam amigos e confessam, aos poucos, os problemas pessoais de cada um e, quando menos espera, Holly se vê apaixonada por ele. Mas a bonequinha de luxo luta contra esse amor por achar que conseguirá ter boa vida com os amantes milionários que vai agarrando ao decorrer da trama.



Embora o filme não tenha tanto apelo sexual, houve uma preocupação com a imagem que Audrey iria passar ao interpretar uma prostituta nos cinemas. Inclusive, o papel principal foi pensado primeiramente para a musa do sex appeal Marilyn Monroe, que acabou recusando a oferta, graças aos conselhos de Lee Strasberg, seu empresário e mentor. Audrey, que já havia interpretado princesas e freiras, achou  o papel muito diferente de sua pessoa, mas mesmo assim topou e atuou.

A obra é cheia do charme sessentista e conta com um roteiro esperto e bem estruturado. A música-tema "Moon River", composta por Henry Mancini e com letras de Johnny Mercer, ganhou o Oscar de Melhor Canção Original e, honestamente, esta é uma canção que fica na cabeça e você não consegue (e nem quer) tirar.

Completando 52 anos da data de seu lançamento, "Bonequinha de Luxo" ainda é um filme para ser visto e apreciado. Os temas envolvidos são atemporais e qualquer um pode se identificar com Ms. Golightly dizendo "Pessoas não pertencem umas às outras, eu não pertenço a você, eu não sou Holly, eu não sou Lula Mae e eu não sei mais quem eu sou".




Para fechar o post e retornar ao blog em grande estilo, o vídeo-pérola de Audrey cantando Moon River na janela do seu apartamento. Inspirador. ♥

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Voltei para dizer que esse cara sou eu

Ressucitei de um longo sono profundo. Para falar a verdade, tinha me esquecido do blog e do meu comprometimento para com ele. Reli as matérias anteriores, corrigi o que precisava ser corrigido e agora me sinto livre para me expressar da melhor maneira: falando sobre música.



Só que após longos debates comigo mesmo, percebi que não é só sobre música que me aprecio a falar. Também sou fã de teatro e cinema, meios dos quais jamais poderei viver sem. Então, para que me aprisionar a um único e singelo tema quando a minha capacidade criadora deve (pode?) escrever sobre determinados outros assuntos? Falei que só discursaria sobre música, mas sendo "Galáctica" o nome desse blog, venho a lhes questionar a imensidão e a quantidade infinitamente variável de objetos em uma galáxia. Em um bom conjunto de planetas, encontramos corpos celestes, buracos negros, estrelas cadentes, meteoros, planetas-anões e uma caralhada de outras coisas impensáveis. Por isso, acreditando na infinitez do Universo, julguei que deveria abrangir mais as minhas possibilidades.

Então,  ao perscrutar sobre as mais profundas imensidões do meu tema geral, declaro as novas plataformas do meu blog e acredito que assim estarei fazendo um trabalho mais digno de ser lido e compreendido.

Obrigado,
Sasha Cruz