Get lost on the Galaxy Case

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A Ave Francesa

Procurei em meu Dicionário do Francês Essencial, da Porto Editora, o significado para a palavra "Piaf". Não encontrei. Desolado, me rendi ao Google que me forneceu a palavra "pardal" como tradução.


Estudar francês para mim é um sonho, como deve ser também para muitas pessoas. Ficamos naquele esquema do 'tenho que saber inglês, só inglês já está bom, O MUNDO FALA INGLÊS". Eu não consigo ver por esse lado. Lógico que inglês é indispensável, mas estudar uma língua que você ama de verdade, não tem preço - desculpe-me o clichê.

Uma cantora que tem chamado bastante a minha atenção é a parisiense Edith Piaf, que fez sucesso com sua voz dionisíaca entre os anos 30-50. O estilo dela lembra um pouco a nossa querida Maysa - que teve uma minissérie exibida na Globo em 2009 e da qual eu me tornei fã por que eu nunca tinha visto uma cantora que pusesse tanta dor em sua música.

Piaf morre no outono de 1963 devido à sua fragilidade quanto a remédios nenhum pouco confiáveis, se é que me entendem, mas aproveitou enquanto pôde a fama e a riqueza. "La Môme Piaf", como foi apelidada pelo público francês, teve uma infância bastante dura. Do desleixo que era cuidada pela mãe, passou a viver com a avó paterna que era dona de um bordel. Depois, viveu com o pai que viajava com uma trupe de circo. Até alcançar o estrelato, se envolveu com cafetões e tudo mais o que manda a boa educação francesa.

Piaf beijando a atriz alemã Marlene Dietrich - o que abala a França?
Infância triste à parte, a sua obra também é caracterizada pela melancolia e sofrimento - que aliás, eram muito requisitados na época. E é justamente o que se precisa hoje na música contemporânea: um pouco de tristeza - podemos ver claramente como faltam músicas neste segmento quando Adele aparece e canta "Someone Like You", hit supremo do verão 2012 e não há quem negue a sua eficiência.



Em 2007, o diretor francês Olivier Dahan levou aos cinemas mundiais o filme "La Môme", ou na versão tupiniquim, "Piaf - Um Hino ao Amor", e conta a história da intérprete de um jeito que só o cinema francês consegue contar. O filme ganhou o Oscar de Melhor Atriz pelo trabalho de Marion Cotillard como Piaf - que sem dúvida nenhuma mereceu a estatueta.

Piaf é música para se ouvir pensando, pois possui um ar urgente, daquela pessoa que precisa ser ouvida. É meio cabeça mas, quando a história de vida de um artista é interessante, logo a sua música passa a ser também, por que muitas vezes o ouvinte quer escutar através dela, os sofrimentos pelos quais o cantor está ali, está vivo cantando. E torna a arte de ouvir música muito mais do que um simples curto ou não curto.

Aqui está um vídeo de uma música que eu particularmente gosto muito, "Padam". O som não está muito bom, mas como é de uma apresentação da cantora, eu resolvi postá-lo mesmo assim.



Se quiserem saber mais sobre a cantora, assistam o filme que eu falei, "Piaf - Um hino ao amor", que além de mostrar um pouco da cultura da época, é um filme genuinamente francês! Já falei sobre minha paixão sobre o cinema francês? É uma linguagem incrível e própria deles, com uma sensibilidade que pouco nos é mostrada no cinema nacional e no americano. Tenham a sua dose semanal de produções francesas, é a minha dica para a vida toda.