Atualmente, tenho percebido uma grande quantidade de séries e músicas que têm como base inspiratória a morte. O seriado "The Walking Dead" ou o emblemático álbum "Born to Die" da cantora americana Lana Del Rey são provas afetivas disso. Morrer está na moda.
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| Personagens do famoso mangá/animê Death Note: Para morrer, basta que se escreva o nome de alguém num livro |
Mas não é morrer de qualquer jeito, eu estou falando da morte pela Arte. A busca por si mesmo começa quando se morre por motivos maiores e entregamos nossa alma àquilo que está acima de nós, ao nosso intuito criador, ao subconsciente de nossas amplitudes, faculdades. Por isso, vários artistas buscam nesse sombrio tema recursos para embasar e embelezar sua tão-adorada arte.
Grande destaque da Fox dos últimos anos, o seriado arrasa-quarteirão "The Walking Dead" leva o tema a fundo. Nele, sobreviventes de um apocalipse zumbi são obrigados a correr pela vida e, mesmo ela sendo tão preciosa, chegam a cogitar (e muito!) a ida para o outro lado da força. Rick Grimes é um tira que acorda de seu coma - fruto de um tiro de arma em seu abdome em uma corrida policial - e se depara com um mundo onde os mortos assumiram o controle. Os zumbis estão sedentos por carne humana e basta que um deles te dê uma pequena mordida para você se tornar igual a eles.
Logicamente, a busca pela sobrevivência é um caminho tortuoso e o tempo de descanso não é suficiente para aguentar mais uma jornada noturna, o que acaba tornando a morte a tábua de salvação dos personagens. A morte interna (classificarei assim) também aparece. Eu a defino como a mudança dos sentimentos, o conteúdo interior de alguém que se esvai e torna-se algo diferente. O personagem, nesse caso, morre ao sofrer as agressões externas do ambiente e sua personalidade muda, como é o caso de muitos deles, mas não entrarei em detalhes do enredo.
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| Rick, com o revólver, e sua trupe em The Walking Dead |
No entanto, os conflitos em TWD vão bem além disso, explorando os relacionamentos familiares, amorosos, dando espaço para a vingança e o ressentimento, mas sem jamais ultrapassar a linha que coloca a morte como foco principal da trama. Eu vejo a morte neste seriado como uma mudança, seja ela boa ou ruim, depende dos olhos de quem por ela é vista. Morrer faz parte, a única opção é adiar um pouco, talvez muito, a nossa ida para o outro mundo.
A Morte na Música
Com a ascensão dos hipsters e os visuais cadavéricos da Gaga, a música, como nunca, também está fazendo uma grande ode à morte. Rihanna já dava algum indício da sugestão - de uma maneira repaginada - da morte na música, com o seu "Rated R", lançado em 2009. Em "Russian Roulette", fez essa brincadeira assassina e acabou morrendo no videoclipe. Mas longe de ter uma relevância no cenário musical, quem realmente trouxe à tona o tema sombrio de uma maneira comercial e interessante foi a mulher conhecida como Lady Gaga.
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| Lady Gaga e o modelo Zombie Boy no clipe de "Born This Way" |
Ao enveredar pelo mundo da música, os temas das canções de Gaga bebiam da fonte pop-convencional, ou seja, baladas, sexo, dinheiro, feminismo, etc., etc.. Foi com o relançamento de seu 1º álbum, agora rebatizado de "The Fame Monster" que a nova-iorquina mudou o estilo que estava construindo. Mais precisamente com o videoclipe "Paparazzi", Gaga deu o pontapé inicial para falar sobre morte. Nele, ela é jogada da varanda pelo suposto namorado/ficante/amigo colorido, quase morre e acaba retornando à sua casa de cadeiras de roda e, ao final, acaba assassinando seu parceiro.
A cantora chegou a afirmar em uma entrevista que estava muito focada no tema "morte artística" ou "morte do artista". Ela queria explorar isso ao máximo, uma vez que, beleza e fama são passageiras, a morte é eterna. Gaga seguiu matando personagens em seus vídeos por toda a Era Monster (o homem queimado em Bad Romance, as pessoas no bar em Telephone e um caixão aparece em Alejandro).
Nas letras, principalmente, Gaga dava o toque macabro ao seu disco. Em "Dance In The Dark", cita o nome de diversos artistas que morreram de forma abrupta, ora brutais, como Marilyn Monroe e Princesa Diana, além de outros. Em "So Happy I Could Die", uma Gaga imensamente contente não teme a morte e para ela, está tudo bem, isso é aceitável.
Uma novidade mais recente na música, a cantora hipster-pop (?) Lana Del Rey é tão racional e cética ao ponto de escrever na letra de sua música a afirmação de que nós nascemos para morrer.
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| Lana em "National Anthem" |
Canções embaladas por suaves melodias, uma voz doce, mas ao mesmo tempo, pesada, Lana adquiriu com seu trabalho uma legião de fãs que se identificaram com as letras melancólicas e depressivas, amorosas, porém pessimistas. E ao, contrário de Gaga, que só mata, Lana "morre" em seus videoclipes, como é o caso da faixa-título de seu álbum, "Born to Die".
A garota, no entanto, tenta revelar um lado mais idealizado da morte. Ela a afirma como algo bom, que nos elevará, um processo irremediável, final, mas belo, lúdico e poético. Lógico que combinando com o seu estilo femme fatale.
A morte possui diferentes aspectos nos meios pelos quais ela é transformada em arte. Em pinturas da idade média (vide o Romantismo e todos os outros ismos que vieram antes dele), a indesejável é associada à beleza, esta por ser algo fugaz e efêmero. Em séries de TV mais realistas, ela é algo ruim, pesado, triste. Em outras formas de arte, ela pode estar relacionada com a mudança, no torna-se algo ou alguma coisa melhor. Tem também a morte através das lentes da religião, mas isso é um outro tópico que precisa de uma dissertação mais aprofundada e clara. E é claro, cada um tem a sua opinião sobre esse fatalidade dos seres vivos. Qual é a sua?
Para finalizar, o vídeo-ícone do cinema de suspense, "O Sexto Sentido" (1999) é um filme para ser assistido uma vez, por isso, se ainda não o assistiu, faça-o! Mas só uma única vez. O final explica tudo.




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