Nesta semana, servido de uma grande vontade de apreciar novamente o filme "Bonequinha de Luxo", filme dirigido por Edward Blakes, baseado na obra de Truman Capote, um dos pioneiros do jornalismo literário, assentei-me no sofá de casa e admirei uma grande obra clássica da sétima arte.
Ao terminar, cheguei a conclusão de que toda boa obra cinematográfica deve ser assistida, pelo menos, duas vezes. Só assim o espectador pode dizer que realmente assistiu o filme. Ver a obra uma única vez é o mesmo que não ter visto. O que quero dizer é que há demasiadas nuanças para serem compreendidas em apenas um momento. Temos que contemplar a arte, dar um tempo, respirar, pensar em outras coisas e então contemplá-la novamente, desse modo nossos olhos e subconsciente estarão com o terreno preparado para equalizar todos os dados expostos.
Minha admiração pelo filme começou pela admiração em outra estrela: a própria Audrey Hepburn, cujo outro filme eu já assistira anteriormente e me aprouvera muito, My Fair Lady, ou, para os não-familiarizados, Minha Bela Dama. Audrey é uma atriz de nacionalidade belga que fez parte da chamada época de ouro de Hollywood. Viveu entre 1929 e 1993 e teve uma carreira de atriz invejável. Ganhou o prêmio Oscar em 1954 pelo seu trabalho no filme "A Princesa e o Plebeu" e é um dos grandes nomes femininos do cinema norte-americano.
"Bonequinha de Luxo" foi lançado em 1961 e nem por isso perde para qualquer comediazinha romântica que costuma transbordar na Sessão da Tarde, aliás, muito longe disso! Eu poderia considerá-lo como a primeira obra do gênero, só não o faço por falta de embasamento. Importante acrescentar que: a comédia está inserida na trama, porém o drama e as relações pessoais são muito mais aparentes.
Holly Golightly é uma "dama de companhia dos homens" que sonha encontrar o velho rico milionário que mudará de vez a sua vida. Ela só não contava que um escritor de contos, Paul Varjak, iria aparecer e ser o seu vizinho do andar de cima. Eles logo se tornam amigos e confessam, aos poucos, os problemas pessoais de cada um e, quando menos espera, Holly se vê apaixonada por ele. Mas a bonequinha de luxo luta contra esse amor por achar que conseguirá ter boa vida com os amantes milionários que vai agarrando ao decorrer da trama.
Embora o filme não tenha tanto apelo sexual, houve uma preocupação com a imagem que Audrey iria passar ao interpretar uma prostituta nos cinemas. Inclusive, o papel principal foi pensado primeiramente para a musa do sex appeal Marilyn Monroe, que acabou recusando a oferta, graças aos conselhos de Lee Strasberg, seu empresário e mentor. Audrey, que já havia interpretado princesas e freiras, achou o papel muito diferente de sua pessoa, mas mesmo assim topou e atuou.
A obra é cheia do charme sessentista e conta com um roteiro esperto e bem estruturado. A música-tema "Moon River", composta por Henry Mancini e com letras de Johnny Mercer, ganhou o Oscar de Melhor Canção Original e, honestamente, esta é uma canção que fica na cabeça e você não consegue (e nem quer) tirar.
Completando 52 anos da data de seu lançamento, "Bonequinha de Luxo" ainda é um filme para ser visto e apreciado. Os temas envolvidos são atemporais e qualquer um pode se identificar com Ms. Golightly dizendo "Pessoas não pertencem umas às outras, eu não pertenço a você, eu não sou Holly, eu não sou Lula Mae e eu não sei mais quem eu sou".
Para fechar o post e retornar ao blog em grande estilo, o vídeo-pérola de Audrey cantando Moon River na janela do seu apartamento. Inspirador. ♥


Nenhum comentário:
Postar um comentário